Ao pensar sobre o desejo, lembrei-me de Françoise Dolto. Segundo uma de suas frases: “Nosso papel como psicanalista, não é o de desejar algo para alguém, mas ser aquele graças a quem ele pode chegar até seu desejo”, isso me gerou um questionamento que compartilho  com você agora: Qual é o seu desejo?

Muitas vezes sentimos uma grande vontade de realizar algo e mesmo com esse “querer”, acabamos nos movimentando para o sentido contrário de nossa vontade, tomando atitudes e levando nosso corpo para a direção oposta. Nos vemos inseridos em um determinismo psíquico, no qual as circunstâncias de nossa vida se repetem de maneira  incompreensível e nos sentimos vítimas da própria vida, do “ acaso”, sem  sabermos que esse “ acaso” está em plena sintonia e ressonância com o nosso desejo e que fomos nós mesmos que o fizemos acontecer. “A mente é como o vento e o corpo é como a areia, se queres entender o vento, observe o movimento da areia.”

Quantas vezes você não se perguntou: “ Como vim parar aqui”? “ O que é que estou fazendo aqui”? “ É isso mesmo  que eu quero”?  ” Porque me mantenho preso neste aquário, com todo esse mar de possibilidades diante de mim”? “ Porque que eu queria tanto estar na praia agora e aceitei essa proposta de trabalho”?,  “ Porque estou saindo com essa pessoa de novo, se já sei que ela não me faz bem e eu disse tanto que queria alguém melhor para mim”?

Vontade é consciente. O desejo é inconsciente. Daí a importância do trabalho analítico, por nos conduzir em direção ao nosso autoconhecimento, investigando nosso inconsciente e tornando possível, dessa forma, identificarmos o nosso desejo e fazermos a nossa escolha em relação à ele. Essa busca é sempre positiva e libertadora, mesmo sendo complexa, difícil ou “dolorida” muitas vezes, ela é o caminho que nos equilibra e harmoniza nossa vida. Ainda segundo Dolto : “ O único pecado é não correr o risco de viver o seu desejo”.

Simone Filkauskas Sequeira

Terapeuta