Albert Einstein

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(1879 – 1955)

“O problema de morar sozinho é que sempre é a nossa vez de lavar a louça”

“O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.”

“Grandes almas sempre encontraram forte oposição de mentes medíocres.”

“Há duas coisas infinitas: o Universo e a tolice dos homens.”

“No meio de qualquer dificuldade encontra-se a oportunidade.”

“Procure ser um homem de valor em vez de ser um homem de sucesso”

“A teoria é assassinada mais cedo ou mais tarde pela experiência”

“A Matemática não mente. Mente quem faz mau uso dela”

“Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário”

“Os ideais que iluminaram meu caminho e sempre me deram coragem para enfrentar a vida com alegria foram a Verdade, a Bondade e a Beleza.”

“A palavra progresso não terá qualquer sentido quando houver crianças infelizes”

“O tempo e o espaço são modos pelos quais pensamos e não condições nas quais vivemos”

“A realidade é uma ilusão, embora bastante persistente”

“Penso 99 vezes e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho no silêncio, e a verdade me é revelada.”

“A única coisa que interfere com meu aprendizado é a minha educação.Educação é o que resta depois de ter esquecido tudo que se aprendeu na escola”

“A imaginação é mais importante que o conhecimento.”

“A coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. Essa é a fonte de toda a arte e ciências verdadeiras.”

“A coisa mais dura de entender no mundo é o Imposto de Renda.”

“O mais incompreensível do mundo é que ele seja compreensível. “

“A paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento.”

“Nunca penso no futuro, ele chega rápido demais.”

“Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre.”

“O segredo para a criatividade é sabermos esconder as nossas fontes.”

“A mente intuitiva é uma bênção sagrada e a mente racional é um servo fiel. Criámos uma sociedade que honra o serviço e que esqueceu a bênção.”

“People like you and I, though mortal of course like everyone else, do not grow old no matter how long we live…[We] never cease to stand like curious children before the great mystery into which we were born.”

“A monotonia e solidão de uma vida calma estimulam a mente criativa.”

“Tornou-se tremendamente óbvio que a nossa tecnologia ultrapassou a nossa humanidade.”

“Tudo o que é verdadeiramente grande e inspirador é criado por indivíduos que podem trabalhar livremente.”

“Temos que fazer o melhor que podemos. Esse é nosso sagrado dever humano.”

“Penso e penso durante meses e anos e por vezes em noventa e nove vezes a conclusão é errada. No entanto acredito que à centésima acerto.”

“I cannot conceive of a personal God who would directly influence the actions of individuals, or would directly sit in judgment on creatures of his own creation. I cannot do this in spite of the fact that mechanistic causality has, to a certain extent, been placed in doubt by modern science. [He was speaking of Quantum Mechanics and the breaking down of determinism.] My religiosity consists in a humble admiratation of the infinitely superior spirit that reveals itself in the little that we, with our weak and transitory understanding, can comprehend of reality. Morality is of the highest importance — but for us, not for God “

“O Ensino devia ser de modo a que o que é dado fosse recebido como uma prenda valiosa e não como uma tarefa árdua. “

“Gravitation is not responsible for people falling in love.”

“Once you can accept the universe as matter expanding into nothing that is something, wearing stripes with plaid comes easy. “

“Os pioneiros de um mundo sem guerra são os jovens que recusam o serviço militar.”

“A busca da verdade e da beleza é uma esfera de actividade em que nos é permitido permanecer crianças para toda a vida.”

“Those instrumental goods which should serve to maintain the life and health of all human beings should be produced by the least possible labour of all.”

“A busca da verdade é mais importante que a sua posse. “

“O senso comum é um conjunto de ideias nocivas adquiridas cerca dos 18 anos.”

“O mundo é lugar perigoso, não devido àqueles que praticam o mal, mas devido àqueles que observam e nada fazem.”

“Não tenho quaisquer talentos especiais. Sou apenas imensamente curioso.”

“O exemplo não é outra forma de ensinar, é a única forma de ensinar.”

“Com a fama tornei-me cada vez mais estúpido, o que obviamente é um fenómeno frequente. “

“Quero saber os pensamentos de Deus… o resto são detalhes.”

“A ciência sem religião é coxa, a religião sem ciência é cega. “

“A sabedoria não é um produto da escolaridade, mas da tentativa ao longo de uma vida para a obter. “

“Poucos são aqueles que vêem pelos seus próprios olhos e sentem pelos seus corações.”

“Não é estranho que eu que escrevi livros tão impopulares seja uma pessoa tão popular? “

“O valor de um homem reside naquilo que é capaz de dar e não que é capaz de receber. “

“A única razão para o tempo é para que não aconteça tudo no mesmo instante.”

“Nem tudo o que pode ser quantificado conta, nem tudo o que conta pode ser quantificado.”

“Tentem não ser pessoas de sucesso, mas sim pessoas de virtude.”

“Aquele que alegremente vive unicamente para os estatutos e hierarquias já ganhou o meu desprezo. Por engano foi-lhe dado um grade cérebro, quando lhe bastaria uma espinal-medula. “

“Insanidade: repetir a mesma coisa vezes e vezes sem conta esperando obter resultados diferentes.”

“Qualquer tolo inteligente consegue fazer coisas maiores e mais complexas. É necessário o toque do génio e muita coragem para seguir no caminho inverso. “

“Todas as coisas devem ser tornadas os mais simples possíveis, mas nem mais um bocadinho. “

“Aprende com o dia de ontem, vive o de hoje e espera pelo de amanhã. A coisa mais importante é não deixar de fazer perguntas.”

“Nunca penso no futuro; ele chega o suficientemente rápido. “

“A coisa mais bela que podemos experimentar é o misterioso. É a fonte de toda a verdadeira arte e ciência. Aquele para quem esta emoção é estranha que não consegue imaginar e sentir espanto está tão bom como morto: os seus olhos estão fechados.”

“A perfeição dos meios e a confusão dos fins parecem caracterizar os tempos que correm.”

“Tenha uma profunda fé que os princípios que regem o Universo serão belos e simples. “

“A verdade é o que resiste aos testes da experiência. “

“O importante é não para de ser inquisitivo. A curiosidade tem a sua própria razão para existir.”

“A Mecânica Quântica é impressionante. No entanto uma voz interior diz-me que não é a verdade suprema. A teoria explica muita coisa, mas dificilmente nos transporta para mais próximo dos segredos dos Ancião. Em qualquer modo, estou convencido de que Ele não joga aos dados.”

“Os grandes pensadores sempre tiveram uma violenta oposição das mentes medíocres Estas últimas não aceitam quando uma pessoas não se acomoda aos preconceitos hereditários, optando por honesta e corajosamente usar a sua inteligência.”

“O Senhor é subtil, mas não malicioso. “

“Seres humanos, vegetais e poeira cósmica: todos dançamos uma música misteriosa tocada à distância por um músico invisível. “

“Se acredito na imortalidade? Não, e uma vida é o suficiente para mim.”

“Que estranhos somos, nós mortais! Cada um de nós está aqui para uma breve jornada cujo propósito não sabemos embora por vezes o possamos sentir. Mas sabemos da vida diária que existimos para os outros, principalmente para aqueles de cujos sorrisos e bem-estar depende a nossa felicidade.”

“Os cientistas foram classificados como hereges pela Igreja, mas eram homens verdadeiramente crentes na sua fé da ordem do Universo. “

“Não acredito que o Senhor Deus jogue aos dados. “

“A teoria da Relatividade Geral numa frase: O tempo, o espaço e a gravitação não têm uma existência independente da matéria. “

“Não sabemos absolutamente nada. A nossa sabedoria é a de crianças de escola. A verdadeira natureza das coisas nunca a saberá.”

“Ensinem-me baseball que eu ensino-vos relatividade… Não podemos ir por aí… aprenderão relatividade mais depressa que eu aprenderei baseball.”

“Por cada milhar de milhão de partículas de anti-matéria existia um milhar de milhão e mais uma partícula de matéria. Quando se concluiu a aniquilação ficamos com um milimilionésimo das partículas e esse é o nosso Universo atual.”

“A vida é como andar de bicicleta. Para mantermos o equilíbrio é preciso continuar em movimento.”

“Enquanto houver homens haverá guerras. “

“O Nacionalismo é uma doença infantil, o sarampo da Humanidade. “

“Acredito na estandardização dos automóveis, não da espécie humana.”

“Para conhecer um país é preciso um contacto directo com a Terra. É inútil olhar a paisagem através do vidro de um automóvel. “

“Adoro viajar, mas detesto chegar. “

“A política é mais difícil que a Física.”

“Uma natureza finamente temperada anseia sair da vida pessoal para o mundo da percepção objectiva e do pensamento. “

“Tanto quanto as leis da matemática se referem à realidade, não são exactas; tanto quanto são exactas, não se referem à realidade.”

“Não acredito na Matemática. “

“Não sei quais serão as armas da 3ª Guerra Mundial, mas a 4ª Guerra Mundial será combatida com paus e pedras.”

“Se A é o símbolo de sucesso, a sua fórmula é A=X+Y+Z, em que X é trabalho, Y é brincar e Z é manter a boca calada. “

“Os ideais que iluminaram o meu caminho em todos os momentos e que me dera nova coragem para enfrentar a vida com leveza foram a Gentileza, a Beleza e a Verdade.”

“Apenas duas coisas são infinitas, o Universo e a estupidez humana, mas não estou certo quanto ao primeiro. “

“Há uma questão que me deixa por vezes tonto: sou eu que estou louco ou serão os outros? “

“Aquele que nunca cometeu um erro nunca tentou fazer coisa nenhuma. “

“Não se preocupem com os vossos problemas com a matemática. Posso assegurar-vos que os meus ainda são maiores.”

!Se soubéssemos o que andamos a fazer, não se chamava investigação, não era?”

“Os intelectuais resolvem problemas, os génios evitam-nos. “

“É com grande prazer que vejo a casmurrice e não-conformismo incorrigível serem bem acolhidos.”

“A realidade é uma mera ilusão embora seja muito persistente.”

“A Ciência é uma coisa maravilhosa se não tivermos que ganhar a vida com ela. “

“Setting an example is not the main means of influencing others; it is the only means.”

“A coisa mais incompreensível sobre o mundo que nos rodeia é que é compreensível. “

“Quando a solução é simples, Deus está a dar a resposta.”

“A coisa mais difícil de perceber no mundo são os impostos. “

“Os problemas mais graves que enfrentamos não podem ser resolvidos com o mesmo estado de espírito com que os criámos. “

“Sou suficientemente artista para desenhar livremente com a minha imaginação. A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. Com a imaginação posso englobar o Mundo.”

“A alegria na observação e na compreensão são a mais bela dádiva da natureza.”

“O verdadeiro valor de um ser humano é determinado primeiramente pela medida em que já conseguiu libertar-se de si e das suas necessidades. “

“A coisa pior da nova geração é que já não pertenço a ela.”

“Não é por nós sentarmos á distância a chamarmos vermes à espécies humana que a estamos a ajudar.”

“Existem duas formas de viver a vida: uma é acreditando que nada acontece por milagre, a outra é acreditando que tudo acontece por milagre.”

“Como castigo pelo meu desprezo pela autoridade, o destino tornou-me um autoridade.”

“Quero saber como Deus criou este mundo. Não estou interessado neste ou naquele fenómeno, no espectro deste ou daquele elemento. Quero saber os Seus pensamentos; o resto são detalhes.”

“O comportamento ético de um homem pode ser eficazmente baseado na simpatia, educação e laços sociais; nenhuma base religiosa é necessária. O homem seria de facto um ser miserável se tivesse que ser restringido pelo medo da punição ou esperança do prémio após a morte.”

“A fraqueza da atitude torna-se a fraqueza do carácter. “

“Estamos na situação de uma criança que entre numa biblioteca ionde encontra imensos livros em muitas línguas diferentes. Ela sabe que alguém teve que escrever estes livros, mas não sabe como e não entende as linguagens em que estão escritos. A criança suspeita que existirá uma ordem no arranjo dos livros, mas não sabe qual é. Esta parece-me ser a atitude mais inteligente do ser humano perante Deus. Vemos um Universo que se estrutura e move maravilhosamente mediante certas leis, mas mal entendemos essas leis. As nossas mentes limitadas não conseguem compreender integralmente a força que move as constelações. “

“Onde há amor, não há perguntas.”

“Os problemas que hoje existem no Mundo não podem ser resolvidos pelo mesmo nível de sabedoria e conhecimento que os criaram.”

“A leitura após uma certa idade distrai a mente da sua busca criativa. Qualquer homem que leia demasiado e use pouco o seu cérebro adquire hábitos de preguiça mental. “

Sua vida e sua obra.

Do nascimento em Ulm (14/03/1879), pequena cidade ao sul da Alemanha, à juventude em Zurique, Einstein, para usar um dito popular, comeu o pão que o diabo amassou. Entre mudanças de cidades e falências das empresas do seu pai, Einstein enfrentou o autoritarismo da escola alemã e os preconceitos raciais tão intensos naquela época. Logo cedo demonstrou aptidão para atividades individuais. Ao invés de jogos infantis no jardim, com as outras crianças, preferia construir, sozinho, complicadas estruturas com cubos de madeira e grandes castelos de cartas de baralho, alguns com catorze andares. Aos sete anos ele demonstrou o teorema de Pitágoras, para surpresa do seu tio Jakob, que poucos dias antes lhe ensinara os fundamentos da geometria (Fölsing, p.22).

Mas, se para a matemática e para as ciências naturais ele era mais do que bem dotado, porque possuidor de grande intuição e habilidade lógica, para as disciplinas que exigiam capacidade de memória era um fracasso! Geografia, história, francês e, particularmente, o grego constituíam obstáculos quase intransponíveis; decorar conjugações de verbos era para ele um horror! Enfim, no conjunto das suas habilidades infantis, nada deixava transparecer o gênio que viria a ser; seus familiares acreditavam até que ele poderia ter algum tipo de dislexia (Clark, p.27).

Em conseqüência das suas dificuldades para memorizações ele se desinteressa pelas aulas que exigem tais habilidades, provocando violentas reações dos seus professores. Tanto, que certo dia o diretor da escola, coincidentemente o professor de grego, convoca-o para uma reunião e declara, entre outras coisas, que seu desinteresse pelo grego era uma falta de respeito pelo professor da disciplina, e que sua presença na classe era péssimo exemplo para os outros alunos. Encerrando a reunião, o professor disse que Einstein jamais chegaria a servir para alguma coisa (Fölsing, p. 28). A partir desses fatos, parece natural, à luz da psicanálise, o “esquecimento” que Einstein sempre demonstrou ter em relação à sua infância e à sua adolescência. Apenas três fatos desse período lhe são relevantes: as lições de violino que sua mãe lhe dava, as “aulas” de geometria do seu tio Jakob e a história da bússola. Certo dia, quando aos cinco anos se recuperava de uma enfermidade, Einstein ganhou do pai uma bússola de bolso que lhe causou profunda impressão, pois o ponteiro sempre apontava para o mesmo lugar, não importando a posição em que a bússola fosse colocada. Nas suas notas autobiográficas (Schilpp, p.9) ele descreve esta reação com a palavra alemã “wundern”, que pode ser traduzido por “milagre”. O mesmo tipo de sensação ele teve quando aos doze anos leu um livro de geometria, e imediatamente lembrou-se da demonstração do teorema de Pitágoras que fizera aos sete anos. Da sua época colegial ele costumava dizer que “os professores da escola primária pareciam sargentos, e os do ginásio pareciam tenentes” (Frank, p.11).

Aos quinze anos Einstein abandona o Gymnasium e parte para Milão, onde vivem seus pais. Um ano depois seu pai comunica que não pode mais lhe dar dinheiro, pois a fábrica estava, mais uma vez, à beira da falência. “É preciso que você arranje uma profissão qualquer, o mais rápido possível” (Levy, p.24), sentencia o senhor Hermann Einstein. Foi então que Albert decidiu fazer física, mas, não possuindo o diploma do Gymnasium, ele não podia entrar na universidade. Como alternativa ele poderia freqüentar um instituto técnico, e Einstein escolhe simplesmente o mais renomado da Europa central, a Escola Politécnica Federal (Eidgenössische Technische Hochschule), a ainda hoje famosa ETH, em Zurique (Suiça). Na primeira tentativa de ingresso ele é reprovado nas provas de botânica, zoologia e línguas modernas, mas seu excelente resultado em física chamou a atenção do diretor da escola, que lhe aconselha a freqüentar uma escola cantonal em Aarau, próxima a Zurique, a fim de obter o diploma dos estudos secundários, com o qual adquiriria o direito de freqüentar a ETH, ou a universidade.

Em 1895, aos dezesseis anos, Einstein estava mais do que feliz no ambiente livre e motivador da escola cantonal, e se preocupava com um problema que nem ele, nem seu professor sabiam resolver: queria saber qual o aspecto que teria uma onda luminosa para alguém que a observasse viajando com a mesma velocidade que ela!! Este problema voltaria tempos depois, quando Einstein formulou sua teoria da relatividade.

Em 1896, após a conclusão do secundário, ele é aceito na ETH como estudante de matemática e física, mas, para sua surpresa e decepção, a Escola Politécnica não atendia suas expectativas. Ao contrário da escola de Aarau, onde as aulas se desenvolviam em estimulantes discussões, na ETH os professores se contentavam em ler, em voz alta, livros inteiros! Para fugir do tédio de aulas tão monótonas, Einstein decide “gazeteá-las”, aproveitando o tempo livre para ler obras de física teórica. Devora livros e mais livros que os professores da ETH deixavam de lado: Boltzmann, Helmholtz, Hertz, Kirchhoff, Maxwell, entre outros. Aqui, como no ginásio alemão, ele atrai a má vontade dos seus professores, e isso lhe custará caro. Para ilustrar a imagem que alguns professores tinham de Einstein, conta-se que Minkowski teria dito, alguns anos depois do artigo sobre a teoria da relatividade: “para mim isso foi uma grande surpresa, porque na época dos seus estudos Einstein era um preguiçoso. Ele não demonstrava qualquer interesse por matemática” (Feuer, p.94).

Esses quatro anos passados na ETH (1896-1900) são apenas superficialmente documentados na literatura. Nas suas notas autobiográficas (Schilpp, p. 3-95), Einstein diz que ali teve excelentes professores, mas menciona apenas dois: Hurwitz e Minkowski. Confessa que passou a maior parte do tempo nos laboratórios, fascinado com as experiências, e que era aluno negligente na maioria dos cursos; confessa também que usou os apontamentos de um aluno aplicado para se submeter aos exames. Sabe-se hoje que esse colega era Marcel Grossmann (Levy, p.32; Fölsing, p.53), a quem Einstein dedica sua tese de doutorado, “Sobre uma nova determinação das dimensões moleculares” (“Eine neue bestimmung der moleküldimensionen”), apresentada na Universidade de Zurique em 1905.

São as cartas trocadas entre Einstein e Mileva Maric, sua primeira mulher (Renn e Schulmann), que melhor esclarecem esse período passado na ETH. Sabe-se, a partir desse material, que ele adora ler Helmholtz e Hertz. Essas leituras constituem, provavelmente, o impulso inicial para a teoria da relatividade. Vejamos o que ele diz em carta de 1899: “(…) estou relendo Hertz, a respeito da propagação da força elétrica, com muito cuidado, porque não entendi o tratado de Helmholtz sobre o princípio da mínima ação em eletrodinâmica. Estou cada vez mais convencido de que a eletrodinâmica dos corpos em movimento, como é apresentada hoje, não corresponde à realidade, e que será possível apresentá-la de modo mais simples. A introdução do termo ‘éter’ em teorias de eletricidade levou à concepção de um meio cujo movimento pode ser descrito sem ser possível, creio eu, atribuir um sentido físico a ele. Acho que as forças elétricas podem ser diretamente definidas apenas para espaços vazios – algo que Hertz também enfatiza” (Renn e Schulmann, p. 49). Em outra carta do mesmo ano, ele diz: “Tive uma boa idéia em Aarau para investigar a maneira com que o movimento relativo de um corpo com relação ao éter luminífero afeta a velocidade de propagação da luz em corpos transparentes. Até pensei em uma teoria sobre o fenômeno que me parece bastante plausível” (Renn e Schulmann, p.54).

A despeito de toda privação material a que estava submetido, chegando mesmo a passar dias alimentando-se precariamente, o ambiente cultural de Zurique lhe proporcionava momentos de grande felicidade. Como se sabe, nessa parte da Europa central estavam em gestação naquele momento as três grandes revoluções da virada do século: o marxismo, a psicanálise e a física moderna. A agitada Zurique é então considerada o berço pacífico das revoluções européias; por ali circulam personalidades hoje famosas: Lenin, Trotsky, Plekhanov (para alguns o grande mentor da revolução soviética), Rosa Luxemburg, Théodor Herzl (o fundador de Israel), Chaim Weizman (o primeiro presidente de Israel). Nas repúblicas estudantis se discute o socialismo, e o clima de liberdade é inebriante. Ao chegar a Zurique, em 1900, para trabalhar no hospital psiquiátrico Burghölzli, Jung logo percebe, como declarou anos depois, essa atmosfera de liberdade (Feuer, p.33).

É nesse ambiente cultural que o jovem Einstein forja sua cultura científica. Lê Kant entre a adolescência e a juventude e se inicia, durante o período da ETH, na leitura de autores socialistas, particularmente Marx e, evidentemente, Mach. Tais leituras foram, aparentemente, induzidas pelo seu colega Friedrich Adler. Estudante de física com propensão à filosofia, Adler era verdadeiramente um ativista político e, já na adolescência, um inveterado leitor dos clássicos do marxismo. Mais tarde abandona a carreira científica para se dedicar à política, ocupando vários cargos importantes no partido socialista austríaco. Em 1916 choca o mundo ao assassinar o primeiro ministro da Áustria. Seu julgamento, em 18 e 19 de maio de 1917, resulta na condenação à morte; posteriormente teve sua pena comutada para prisão perpétua, e ao final da guerra foi anistiado. Para Einstein, Adler parecia ser o único estudante que havia realmente entendido o curso de astronomia (Feuer, p.38). Esta capacidade intelectual de Adler parecia vir do berço; para Engels, Victor Adler, pai de Friedrich, era “o mais capaz entre os chefes da Segunda Internacional” (Feuer, p. 48).

Em busca do primeiro emprego:

Em cartas de 1900, percebe-se a natural preocupação de Einstein com a obtenção de um emprego. Ao concluir o curso, em agosto de 1900, ele manifesta esperança de ocupar o cargo de assistente do professor Hurwitz (Renn e Schulmann, p.65), para logo depois descobrir que perdeu o emprego por influência do seu ex-orientador, H.F. Weber (Renn e Schulmann, p. 68). Começam aqui as manifestações de má vontade de seus ex-professores. Tenta, em vão, empregos de assistente nas Universidades de Göttingen e de Leipzig. Aliás, o cargo de assistente na Universidade de Göttingen dificilmente seria ocupado por Einstein, pois exigia o doutorado. No entanto, havia outro cargo na mesma universidade que não exigia o doutorado, mas foi ocupado por Johannes Stark, que veio a se transformar em ardoroso nazista e ferrenho anti-semita. É interessante chamar a atenção para a existência do preconceito anti-semita, já que isso incomodava Einstein sobremaneira. O insucesso na obtenção de um emprego universitário, logo após a formatura, obriga Einstein a aceitar um cargo temporário numa escola secundária; alguns meses depois está desempregado e passa a ministrar eventuais aulas particulares.

Ainda com o forte impacto do livro de Mach, “História da Mecânica” (Schilpp, p.21) e sob a influência inicial de Adler, Einstein prossegue seus estudos científicos com uma visão política marxista. Em 1902, quando se transfere para Berna, um pouco antes de assumir seu primeiro emprego fixo, no Departamento Suiço de Patentes (23 de junho de 1902), Einstein “cria”, ao lado de dois amigos, Conrad Habicht e Maurice Solovine, a Academia Olímpia, que, como toda academia, tem seus “membros correspondentes” (Paul Habicht, Michele Besso e Marcel Grossman). Esse grupo de boêmios, recém-formados à procura de emprego, constitui uma contra-cultura das mais profícuas da história da ciência; pode-se comparar a Academia Olímpia ao grupo de discussão liderado por Freud, e que na mesma época se reunia em Viena.

As discussões na Academia Olímpia giravam em torno de ciência, filosofia e política, a partir das idéias de Marx e Mach. Com esses colegas Einstein discute seus primeiros trabalhos sobre a teoria da relatividade, mas muito mais do que interesse científico embutido na formação da Academia Olímpia, havia, sobretudo, um conflito de gerações e uma motivação sócio-política muito próxima dos ideais marxistas; Adler estava por ali para fornecer o suporte teórico!! Simpatias pessoais são elementos poderosos na fermentação de idiossincrasias e perfis psicológicos.

Em 1908, sensibilizado com a situação do amigo, Adler escreve ao pai: “(…) há um homem chamado Einstein que estudou ao mesmo tempo que eu, e seguiu os mesmos cursos que eu segui. Nossa evolução foi bastante semelhante (…); ninguém se sensibiliza com suas necessidades, ele passou fome durante um certo tempo e durante seus anos de estudos foi tratado com certo desprezo por seus professores da Escola Politécnica; a biblioteca lhe foi fechada, etc., ele não sabia como devia se comportar com as outras pessoas. Finalmente, ele conseguiu um emprego no Departamento de Patentes de Berna e continuou a trabalhar em física teórica, a despeito de todas essas infelicidades. (…) é um escândalo, não apenas aqui, mas também na Alemanha, o fato de que um homem desta qualidade trabalhe no departamento de patentes” (Feuer, p. 39). Um pouco depois dessa carta Einstein é admitido como privadozent na Universidade de Berna.

Numa segunda oportunidade Adler demonstra sua fidelidade ao amigo. Em 1909, quando surgiu uma vaga para Professor Assistente na Universidade de Zurique, um conselheiro, correligionário político de Adler (seu pai ocupava cargo importante no partido socialista) sugeriu seu nome para a vaga aberta. Ao recusar o cargo, ele declarou perante o conselheiro: “Sendo possível ter um homem como Einstein em nossa Universidade, é um absurdo me nomear. Não se pode comparar minha habilidade de físico com aquela de Einstein. É um homem que pode elevar o nível geral da Universidade. Não percam esta ocasião”. (Levy, p. 57). Em 7 de maio de 1909, já famoso, Einstein obtém seu primeiro emprego universitário permanente: Professor Assistente de Física Teórica da Universidade de Zurique

Einsten e Mileva

A imprensa mundial tem explorado o suposto lado perverso da personalidade de Albert Einstein. Essa abordagem, beirando o sensacionalismo, é recorrente quando se trata de mitos e gênios da Humanidade. Esquecem que gênios nas suas especialidades, esses mitos geralmente são absolutamente normais em outras circunstâncias do seu cotidiano, e, como qualquer indivíduo, sujeitos a desvios comportamentais. A história está repleta de exemplos de falsas imagens (valorizadas ou denegridas) de mitos em conseqüência da divulgação de fatos isolados, sem a devida contextualização. É o caso, por exemplo, de uma matéria assinada por Juan Carlos Gumucio (“El País”), veiculada no jornal Folha de São Paulo (FSP) em 27/11/96 (1o caderno, p. 13).

Sob o título Cartas revelam um Einstein dominador, o texto registra as seguintes informações: (1) Mileva Maric, primeira mulher de Einstein, era uma brilhante cientista sérvia que abandonou sua carreira para cuidar dos dois filhos do casal. (2) Em carta de 1914, Einstein teria dirigido a Mileva tratamento mais do que grosseiro (“Você terá de se encarregar de que minha roupa esteja sempre em ordem (…). Você deve renunciar a todo tipo de relações pessoais comigo(…). (3) Einstein mantinha um relacionamento secreto com sua prima Elsa Lowenthal. Outros meios de comunicação exploraram a informação de que depois da separação, Einstein jamais visitou os filhos.

Tendo o parágrafo acima como única fonte, o perfil de Einstein não poderia ser melhor do que o de um monstro. Todavia, é necessário ter em mente o contexto e o provável cenário psicológico para entender comportamentos aparentemente doentios. Talvez o mais biografado dos cientistas, é natural que muita mistificação tenha se difundido a respeito de Einstein. Todavia, biógrafos como Abraham Pais (que privou da sua amizade), Gerald Holton, Jürgen Renn, Robert Schulmann e Phillip Frank constituem fontes fidedígnas, a partir das quais podemos repor a verdade histórica.

Em primeiro lugar, Mileva Maric não era uma “brilhante cientista”. Era realmente uma mulher de destacada capacidade intelectual, mas daí a ser brilhante, vai uma grande diferença. A ilação de que ela havia colaborado na formulação da teoria da relatividade surgiu logo depois da descoberta, em 1986, de um conjunto de cartas de Einstein, no período em que este tentava conquistá-la. Em uma ou outra dessas cartas, quando Einstein falava nos estudos, referia-se ao “nosso trabalho”. Uma breve polêmica alimentou os meios de comunicação de massa e algumas revistas especializadas, mas o equívoco foi logo evidenciado.

Einstein e Mileva conheceram-se em 1896, quando ambos ingressaram na ETH, juntamente com Marcel Grossman, Louis Kollross, Jakob Ehrat e outros seis calouros. Concluíram o curso no primeiro semestre de 1900, mas ela fracassou, por duas vezes, nos exames para a obtenção do Diplom de professor secundário. Durante a segunda tentativa, em julho de 1901, ela estava com uma gravidez de três meses (Lieserl, a filha de Einstein cujo destino é desconhecido). Deprimida, retorna à casa paterna e abandona o plano para a obtenção do diploma da ETH.Casaram-se em janeiro de 1903. Em maio de 1904 nasce o primogênito, Hans Albert. O segundo filho, Eduard, nasce em julho de 1910, quando são evidentes os sinais de desgaste do casamento. Já em 1909, Mileva escreve para uma amiga reclamando que a fama de Einstein não lhe deixa tempo para a família. Torna-se cada vez mais taciturna e descuidada com a aparência. O sonho estava chegando ao final, mas a gota d’água foi a transferência para Berlin, em 1914, quando supostamente Einstein escreve uma espécie de memorando dirigido a Mileva, no qual ele estabelece as incríveis condições para continuarem juntos. Mileva e os dois filhos retornam para Zurique. Einstein leva os três até a estação ferroviária, e chora na volta para casa (Pais, 1994, p.18).

A partida de Mileva alíviou a vida de Einstein, mas foi com grande dificuldade que ele enfrentou a separação dos filhos. Ao contrário do que tem sido veiculado em parte da imprensa, Einstein não foi um pai relapso. Através do seu grande amigo, Michele Besso, professor na ETH, Einstein mantém-se informado sobre sua família (Speziali). Em dezembro de 1915 ele informa a Besso sua intenção de ir até Zurique para encontrar-se com seus filhos, mas o constante fechamento da fronteira da Alemanha com a Suiça, em razão da primeira guerra mundial, impede sua viagem. Em maio de 1916 ele se mostra contente pelo fato de que o amigo proporciona momentos de diversão aos seus filhos. A correspondência prossegue, alternando discussões científicas com notícias familiares. Ainda em 1916, mostra-se bastante preocupado com o estado de saúde de Mileva, que sofre de uma tuberculose cerebral. Resolve, momentaneamente, não incomodá-la com a questão do divórcio, que afinal será concedido em 1919. Enfim, Einstein e Mileva viveram quase uma década de grande paixão, com um final tão trágico quanto comum. Nesse contexto é mais do que natural que atitudes extremadas tenham sido tomadas em momentos de insuportável tensão.

Em setembro de 1917 Einstein muda-se para a casa da sua prima, Elsa Löwenthal, com quem vive até sua morte, em 20 de dezembro de 1936. Viúvo aos 57 anos, Einstein permanece nesta condição o resto da sua vida, i.e., até 18 de abril de 1955.

Sua vida conjugal foi conturbada não apenas pela fracasso do primeiro casamento, mas também pelo saúde debilitada de Mileva e do filho caçula, Eduard. Mileva, em constante crise de melancolia, morreu em Zurique, em 1948. Eduard, que herdou do pai os traços faciais e os talentos musicais, herdou da mãe a tendência para a melancolia. Escreveu poesias. Estudou medicina e queria ser psiquiatra. Muito cedo Einstein reconheceu indícios de demência no filho, que veio a falecer no Hospital Psiquiátrico Burgholz, Zurique, em 1965.

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